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terça-feira, 10 de agosto de 2010

Humor ao alto LVII

O homem que preserva velhos hábitos

Após os funerais tem por costume chegar a casa e logo se livrar da gravata preta, que dependura no armário; do fato, guardado no gavetão; dos sapatos, recolhidos por debaixo da cama. Só depois de meticulosamente limpo, no estojo de veludo preto, recata o revólver.
In o homem que, pág. 37, Augusto Baptista

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Humor ao alto LVI

O homem que interpreta os campos

Quem olhar os campos em atento devagar, não lhes adivinha o futuro líquido, feitos vinho, aguardente, jeropiga, espumante, rum. E, dentro da paisagem embriagada, quem como ele capaz de prever, no sunâmbulo podador, a figura turva que derreia agora a cabeça na mesa do tasco, pagando enfim o tributo à terra?

In o homem que, pág. 60, Augusto Baptista

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Humor ao alto LV

O homem que quis ser lobo

Demandou as serranias a balir. Logo um lobo acolheu o chamado e o engoliu. Afeito à nova pele, saltou para o meio da alcateia. Decidido a discutir a liderança.
In o homem que, pág 44, Augusto Baptista

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Humor ao alto LIV