sexta-feira, 19 de junho de 2026
quinta-feira, 18 de junho de 2026
O PONTO FINAL
As suas histórias têm a marca do real. Abomina, diz, o embuste da ficção. Frequente é andar de braço ao peito, pernas engessadas, mãos ligadas, que as suas narrativas são de verista rebimba o malho, cenas de pugilato de recambolesco entrecho, cacetada, colisões na autoestrada. A última narrativa é uma altercação ocorrida há anos num bar manhoso do faroeste, em que ele continua sem conseguir escrever o ponto final.
Augusto Baptista
quarta-feira, 17 de junho de 2026
segunda-feira, 8 de junho de 2026
UM CERTO SORRISO
– Ai, dona Otília, como lhe invejo o bom humor. Sempre risonha, bem disposta.
– Tem de ser. Não tenho outro remédio.
– Como assim?!
– Então, menina, na rua, para onde quer que me vire lá estão os letreiros...
– Os letreiros?!
– Sim, os letreiros a mandarem-me: Sorria, está a ser filmada. Limito-me a cumprir. E, digo-lhe, bem me custa.
Augusto Baptista
sábado, 6 de junho de 2026
quarta-feira, 27 de maio de 2026
sexta-feira, 15 de maio de 2026
FORTUNA
Viveu a estroina de Paris nos anos loucos. Privou com nomes grandes da escrita, do pensamento, da arte.
Aberto a excessos, imerso nas derivas transgressoras desses tempos, um dia das profundezas do álcool acorda com o peito tatuado com grafismos cubistas, assinatura óbvia.
Os galeristas e marchands exaltaram a ventura do ungido: uma fortuna enterrada na pele!
O tempo passa, o sortudo envelhecendo, tardante o ansiado passamento. Para, enfim, a família curtir a obra e a vida.
Um Inverno chuvoso, frio: a boa nova! O velho foi-se. Foi-se à lareira. Feito em cinzas.
Augusto Baptista