Queria ser um entardecer sereno: mar, ondas discretas; pousada no céu uma gaivota, asas abertas.
Augusto Baptista
O PONTO FINAL
As suas histórias têm a marca do real. Abomina, diz, o embuste da ficção. Frequente é andar de braço ao peito, pernas engessadas, mãos ligadas, que as suas narrativas são de verista rebimba o malho, cenas de pugilato de recambolesco entrecho, cacetada, colisões na autoestrada. A última narrativa é uma altercação ocorrida há anos num bar manhoso do faroeste, em que ele continua sem conseguir escrever o ponto final.
Augusto Baptista
UM CERTO SORRISO
– Ai, dona Otília, como lhe invejo o bom humor. Sempre risonha, bem disposta.
– Tem de ser. Não tenho outro remédio.
– Como assim?!
– Então, menina, na rua, para onde quer que me vire lá estão os letreiros...
– Os letreiros?!
– Sim, os letreiros a mandarem-me: Sorria, está a ser filmada. Limito-me a cumprir. E, digo-lhe, bem me custa.
Augusto Baptista