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quinta-feira, 5 de março de 2026

O ABRAÇO

José, no percurso do balcão para a mesa, copo de leite na mão direita, café na esquerda, equilíbrio instável, inesperado: Asdrúbal! O Asdrúbral, amigo do peito, que não via há anos!

Imperativo, o abraço. E o café com leite.

Augusto Baptista

sábado, 28 de fevereiro de 2026

 Enigma 3349

A folha de videira com que a Eva guardava recato era Touriga Nacional?

Augusto Baptista


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Enigma 3348

Acontece haver gente a cair, quando as andorinhas passam rasteiras? 

Augusto Baptista

sábado, 31 de janeiro de 2026


quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

 Nós Temos Voz é um projeto que pretende dar voz aos alunos da Escola Básica e Secundária de Viatodos, 
em Barcelos, e estabelecer ligações com a comunidade educativa, valorizando o conhecimento, a compreensão, 
a criatividade e o sentido crítico.

https://alunosnostemosvoz.wordpress.com/

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

 Enigma 3347

Encontrão: um encontro em grande?

Augusto Baptista


Inquietação

 

A pergunta irrompeu inesperada, madrugada alta. Embrenhado na leitura, eu não dera pela entrada da voz inquiridora.

Aturdido, fechei o livro, ensaiei fuga à questão. Afinal era tarde, horas de dormir, a televisão há muito mandara os meninos para a cama.

O ânimo perguntador não esmoreceu. Tentei ganhar tempo, trataríamos do caso pela manhã, com calma, de ta lha da men te.

Desconsegui.

De novo a pergunta, a inquietar a noite:

– Papá, o que é pensar?

E dei por mim a titubear. A enrolar-me em explicações. A tactear resposta que fizesse sentido. Para mim, para a minha pequena filha, então com quatro, cinco anos.

Pensar é um mundo. É resolver (ou não) um problema. De alta ou de básica matemática: dois mais dois? É uma palavra, uma poética. Um passeio de mãos dadas à beira mar, entre bandos de estorninhos. É perguntar: “Gostas de mim?” E ter resposta. Às vezes não.

É uma espécie de coceira no cocuruto, silêncio que nos revira para dentro, nos intriga, nos põe cismáticos, como se não houvesse lá fora, nem amanhã. E ao mesmo tempo é uma coisa natural. Como dizer, sentir, ouvir, sorrir, brincar. Ou respirar.

É existir, é obstinação, deriva. É equacionar o sentido da vida, individual, de todos. Um reflectir em relação, nós e os outros, nós e o universo. Para conhecer, para transformar.

Pensar é pesadelo. Lágrima. Gargalhada. É uma ideia que nos ata, uma arma florida, cravo com que se assalta o céu. É revolução. Sonho. Só sonhando se alcança a quimera para todos: igualdade, fraternidade, o pão, a paz.

É uma viagem de incessantes tentativas, um cair e levantar, um cair e levantar. E insistir. Um ensaio de saídas em labirintos, que se abrem em outros labirintos, em novos e infinitos labirintos. Com dissimulados alçapões.

É erguer os olhos, sondar o espaço, partir. Embarcar na construção de um mundo justo. Acreditar. Mesmo quando o horizonte é denso e o futuro arrepia.

Pensar é a busca da certeza tangível a cada hora. Uma incerteza, um sei lá. Saudação, liberdade. É ter ideias, morrer por elas: “Não falo!” É ânsia de verdade, de saber, conhecimento, cultura. Combate à vilania, à insânia. Um culto à elevação, à beleza, à bondade. À razão. É um pulsar. Um tem de ser. É a busca da figura geométrica essencial para modelar a harmonia, repor o equilíbrio natural. É cabelo desgrenhado sobre a fronte, um desatino.

Pensar é concluir que só lá vamos com os outros. Sozinhos não tem piada, não enche o peito, não ilumina o coração. Nem a razão. É movimento, levitação, caos para gerar novos portos de chegada, descobrir outras partidas. Um tilintar. Uma viagem, um voo cósmico. Sinfonia de campainhas e chocalhos, rebanho de ideias em transumância.

Campo lavrado, mão, pensar é punho, torno, cinzel, arado, barco, desenho, jornal. É livro, pauta de música, orquestra, canção. E ruas, cidades, festa, balão.

Pensar é um valor de sempre. Como Abril. Como estes anos a insistir. Este labor, este lutar. É uma gaivota sobre os céus do Porto, sobre os céus do mundo, rés ao passado, em voo livre rumo ao futuro?

Ajudem-me nesta inquietação:

– O que é pensar?

 

Augusto Baptista