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terça-feira, 5 de maio de 2026

 Enigma 3354

Ontem os problemas do mundo eram largos; hoje são largos e estreitos?

Augusto Baptista

 Enigma 3353

O que não deixa margem para dúvidas leva o texto aos limites da página?

Augusto Baptista

sábado, 2 de maio de 2026

MÃOS NUAS

Por mais que lhe explicassem, lhe falassem em paradoxo, o nudista não se resignava à privação dos bolsos.

Augusto Baptista

quarta-feira, 29 de abril de 2026

A Senhora Prestável, de Augusto Baptista (texto) e Emelie Östergren (ilustrações)

Setembro anuncia, com dias mais curtos e noites menos quentes, o começo do fim do Verão e o recomeço do período escolar. Mas ainda é Verão, ainda apetece a praia, a sombra de um jardim, um bom livro para ajudar a retemperar neurónios de forma divertida e estimulante.

Há algum tempo que o livro que hoje vos recomendo, estava a aguardar oportunidade de recensão na minha banca de trabalho. Outras urgências se foram sobrepondo e este, a vários títulos, magnífico livro de Augusto Baptista e da ilustradora Emelie Östergren, foi ficando adiado.

Acontece que, na leitura de uma notícia veiculada pelo jornal online Abril, Abril, se afirma que o governo, no seu afã de mudar a estrutura do Estado, de o minar por dentro, visando entregar a privados tudo o que lhe for possível e dê lucro, pretende, na propalada Reforma da Educação, extinguir, entre outras malfeitorias que visam os departamentos culturais, o Plano Nacional de Leitura (PNL) e a Rede de Bibliotecas Escolares.

O PNL tem sido, ao longo da sua existência, e através da chancela, Ler+, um indicador seguro da qualidade literária e valia pedagógica das obras que recomenda. O livro de que hoje vos falo, A Senhora Prestável, é um desses casos.

A Senhora Prestável, de Augusto Baptista e Emelie Östergren é um livro de prodígios, a começar na linguagem solta, no humor e no surreal que envolve toda a estória, combinando essas qualidades com o traço feliz, inusual em livros afins, da ilustradora e no modo como esta estória, a tocar o absurdo, de generosidades extremas, se vai desenvolvendo para nosso gáudio e fortuna. A estória de dona Berta e do seu infeliz marido Dorival, só terá sido possível conceber, com seus incidentes em contínuo, dada a fecunda imaginação de Augusto Baptista, autor que tem na sua oficina criativa bastas incursões pela narrativa curta, pela poesia e pelo microconto que ele desenvolve com rara e surpreendente argúcia (veja-se o seu recente livro O Encantador de Sereias).

A Senhora Prestável, é um sadio desafio à imaginação do leitor que se deixe envolver por esta estória onde a magia habita, e percorra o desatino com que a benevolência de dona Berta irá transformar um modesto apartamento burguês dos subúrbios, um T1, numa alucinada selva urbana. Esta singular aventura começa logo em alta voltagem, quando dona Berta abre as portas do seu exíguo quarto para que os guarda-redes do clube local ali possam treinar, ou ceder a sua cama aos atletas do ginásio, utilizando-a como trampolim, ou a sala, aos domingos de manhã, para os ensaios da banda, para desespero do inconformado Dorival, saudoso dos seus tempos de África e do sossego dos grandes espaços, que nem aos domingos tem direito a um longo ressonar reparador.

O pior está para vir, com o dono do circo a pedir a dona Berta que lhe cuide por uma tarde de um elefante bebé, acabadinho de nascer. Por lá se instala, no quarto do T1, o infante paquiderme, de seu nome Korak, que dona Berta irá cuidar com desvelo, escondendo-o, no entanto, da fúria de Dorival. A tarde torna-se noite, e dona Berta, sem outra solução, esconde Korak debaixo da cama. O resto terás tu, leitor, que descobrir, que este A Senhora Prestável, irá prender-te até à última palavra.

Proponho-te, leitor, o seguinte exercício: desliga, por uma noite, a televisão, reúne a família na sala (este livro é para toda a gente, para todas as idades, até para os cotas que mantêm resquícios da criança que foram), e lê esta estória de Berta e Dorival em voz alta, ou divide as falas do texto pelos convivas. Verás que estimulante exercício, que prazer poderes fruir este humor inteligente, esta torrente imaginativa, este caudal de pequenos prodígios, e diverte-te leitor, em grupo, porque a festa das palavras deve ser vivida e partilhada por todos. E, no final, mostra o postal que os autores vos oferecem, estão lá ambos e as personagens, entre embondeiros, lianas e a luxuriante flora da selva (e a cama, dos sobressaltos de Dorival).

A Senhora Prestável – de Augusto Baptista e Emelie Östergren – Edição Xerefé Edições.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

 NEM TUDO LEMBRA

À saída do metro, um estranho casal: ela, chapéu com mil lacinhos coloridos a voar; ele, barbas brancas caídas sobre o peito descoberto.

Apesar do aparato, ninguém repara na dupla. 

E bastaria uma simples troca de argumentos para pôr toda a gente de olhos vidrados: ele, chapéu com mil lacinhos coloridos a voar; ela, barbas brancas caídas sobre o peito descoberto.

Há ideias que não ocorrem, na hora de dar nas vistas.

Augusto Baptista

segunda-feira, 20 de abril de 2026

 Enigma 3352

Quando a dor te sobressalta vais no analgésico?

Augusto Baptista

sábado, 18 de abril de 2026

quinta-feira, 16 de abril de 2026

quarta-feira, 18 de março de 2026

DOCE LAR

     Se nos saísse o euromilhões podíamos apanhar um táxi e ir até Lisboa.

     Quem diz Lisboa, diz Paris. Ou a Mealhada...

     Lá estás tu a complicar.

Augusto Baptista

Enigma 3351

O dinossauro, Augusto?

Augusto Baptista

 Enigma 3350

Há um estreito de Ormuz a apertar-nos o coração?

Augusto Baptista

sábado, 14 de março de 2026

quinta-feira, 5 de março de 2026

O ABRAÇO

José, no percurso do balcão para a mesa, copo de leite na mão direita, café na esquerda, equilíbrio instável, inesperado: Asdrúbal! O Asdrúbral, amigo do peito, que não via há anos!

Imperativo, o abraço. E o café com leite.

Augusto Baptista

sábado, 28 de fevereiro de 2026

 Enigma 3349

A folha de videira com que a Eva guardava recato era Touriga Nacional?

Augusto Baptista


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Enigma 3348

Acontece haver gente a cair, quando as andorinhas passam rasteiras? 

Augusto Baptista

sábado, 31 de janeiro de 2026


quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

 Nós Temos Voz é um projeto que pretende dar voz aos alunos da Escola Básica e Secundária de Viatodos, 
em Barcelos, e estabelecer ligações com a comunidade educativa, valorizando o conhecimento, a compreensão, 
a criatividade e o sentido crítico.

https://alunosnostemosvoz.wordpress.com/

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

 Enigma 3347

Encontrão: um encontro em grande?

Augusto Baptista


Inquietação

 

A pergunta irrompeu inesperada, madrugada alta. Embrenhado na leitura, eu não dera pela entrada da voz inquiridora.

Aturdido, fechei o livro, ensaiei fuga à questão. Afinal era tarde, horas de dormir, a televisão há muito mandara os meninos para a cama.

O ânimo perguntador não esmoreceu. Tentei ganhar tempo, trataríamos do caso pela manhã, com calma, de ta lha da men te.

Desconsegui.

De novo a pergunta, a inquietar a noite:

– Papá, o que é pensar?

E dei por mim a titubear. A enrolar-me em explicações. A tactear resposta que fizesse sentido. Para mim, para a minha pequena filha, então com quatro, cinco anos.

Pensar é um mundo. É resolver (ou não) um problema. De alta ou de básica matemática: dois mais dois? É uma palavra, uma poética. Um passeio de mãos dadas à beira mar, entre bandos de estorninhos. É perguntar: “Gostas de mim?” E ter resposta. Às vezes não.

É uma espécie de coceira no cocuruto, silêncio que nos revira para dentro, nos intriga, nos põe cismáticos, como se não houvesse lá fora, nem amanhã. E ao mesmo tempo é uma coisa natural. Como dizer, sentir, ouvir, sorrir, brincar. Ou respirar.

É existir, é obstinação, deriva. É equacionar o sentido da vida, individual, de todos. Um reflectir em relação, nós e os outros, nós e o universo. Para conhecer, para transformar.

Pensar é pesadelo. Lágrima. Gargalhada. É uma ideia que nos ata, uma arma florida, cravo com que se assalta o céu. É revolução. Sonho. Só sonhando se alcança a quimera para todos: igualdade, fraternidade, o pão, a paz.

É uma viagem de incessantes tentativas, um cair e levantar, um cair e levantar. E insistir. Um ensaio de saídas em labirintos, que se abrem em outros labirintos, em novos e infinitos labirintos. Com dissimulados alçapões.

É erguer os olhos, sondar o espaço, partir. Embarcar na construção de um mundo justo. Acreditar. Mesmo quando o horizonte é denso e o futuro arrepia.

Pensar é a busca da certeza tangível a cada hora. Uma incerteza, um sei lá. Saudação, liberdade. É ter ideias, morrer por elas: “Não falo!” É ânsia de verdade, de saber, conhecimento, cultura. Combate à vilania, à insânia. Um culto à elevação, à beleza, à bondade. À razão. É um pulsar. Um tem de ser. É a busca da figura geométrica essencial para modelar a harmonia, repor o equilíbrio natural. É cabelo desgrenhado sobre a fronte, um desatino.

Pensar é concluir que só lá vamos com os outros. Sozinhos não tem piada, não enche o peito, não ilumina o coração. Nem a razão. É movimento, levitação, caos para gerar novos portos de chegada, descobrir outras partidas. Um tilintar. Uma viagem, um voo cósmico. Sinfonia de campainhas e chocalhos, rebanho de ideias em transumância.

Campo lavrado, mão, pensar é punho, torno, cinzel, arado, barco, desenho, jornal. É livro, pauta de música, orquestra, canção. E ruas, cidades, festa, balão.

Pensar é um valor de sempre. Como Abril. Como estes anos a insistir. Este labor, este lutar. É uma gaivota sobre os céus do Porto, sobre os céus do mundo, rés ao passado, em voo livre rumo ao futuro?

Ajudem-me nesta inquietação:

– O que é pensar?

 

Augusto Baptista

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

 Enigma 3346

Mergulhados em nós olhamos em volta?

Augusto Baptista

domingo, 18 de janeiro de 2026

 Enigma 3345

Quietude é um vagaroso divagar tarde adiante ao sol?

Augusto Baptista

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

VIVER

Viver é um exercício de muita matemática. De muita interrogação. 

Sessenta pulsações por minuto quantas pulsações são à escala de uma vida? Um batalhão de algarismos! E ninguém repara nisto, ninguém nisto se detém. E dizem os entendidos que a energia deste pulsar, à mesma escala vital, daria para mandar um engenho da Terra à Lua. E voltar! Respirar leva ao mesmo alheamento, às mesmas contas gradas.

Viver obriga a muito cálculo, a muita ponderação. Quantas batidas moram num coração apaixonado? Quantas inspirações por minuto tem um peito em sobressalto? Quantos passos numa vida? Quantas palavras são ditas?Quantos minutos dormidos, quantos outros acordados? Quantos segredos guarda a vida? Quantos pensamentos calados? Quantos outros assumidos? Quantas oportunidades perdidas? Quantas outras a que preço vencidas?

Viver é um enlace de muitas mãos, de plurais coloridos. Mãos que se querem abertas. Ao mundo, à relação, a outra mãos. Pelas asas da Ciência, da Arte. Do Pensamento. Da Paz. Da cooperação.

Viver é uma ânsia de luz, um semear de pão para todos. É uma oração de menino – que viver às vezes assusta – em noite de trovoada: Santa Bárbara bendita, que no céu está escrita, livrai-nos desta tormenta, afastai-a para bem longe, onde não haja eira nem beira, nem folha de oliveira, nem pedrinha de sal onde possa fazer mal.

Viver é agir. É lutar. Justiça! Trabalho! Educação! Casa! Saúde! É construir um mundo justo, sustentável, feliz! É uma música, um poema, uma paixão! É um jogo de equilíbrios. Um cultivar de ternura, um rotundo não à guerra, uma aposta na harmonia rumo a um futuro fraterno, que abrace os homens, os montes, os pássaros e o arvoredo, a cantata dos rios, a serenata dos grilos. É um grito. Pelo Clima. Pela Terra. Pelo Universo. Pela Vida.

Viver é jogar às escondidas, é brincar, inocente saltar à corda, adulto plantar de esperança numa vida melhor, a pensar em nós e nos outros, em plurais geografias. É uma aposta no amanhã. Sem a fome, sem o ódio, sem o horror, sem a vilania que hoje impera pela mão dos poderosos.

Viver é enfim uma despedida: bom que seja o não acordar de um sonho. É uma partida, um início de viagem: aberto a que novas sinfonias?

Viver é um exercício de muita matemática. De muita interrogação.

Augusto Baptista




sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

 MALES QUE VÊM POR BEM

Mulher,  dá cá um abraço! Estamos cheios de sorte!

– Então?

– Não temos petróleo!

Augusto Baptista

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026