VERGÜENZA
A serpente vence o pescoço descoberto, transpõe o peito, aflora no umbigo, afunda-se sob a saia.
O transeunte, surpreso com trajecto da tatuagem, ávido por saber o destino da serpente, inquire a jovem:
– Queira desculpar, o rumo do réptil?
– Nem eu sei... Depois do que lhe é dado ver, acolhe-se em bom recato. São bichos pouco dados a serem revelados, esquivos, envergonhados.
Augusto Baptista
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