O CANAVIAL
Matutando na severa carência de zonas verdes na cidade, gizou um plano. Quando disso falava aos amigos, lhe diziam: eh pá, és maluco! Fez ouvidos de mercador, concretizou o projecto.
Em boa hora!
Rapado o cabelo, nessa ausência implantou o canavial. Que logo tratou de alimentar com uma breve linha de água, no sulco da risca.
Tudo bem penteado, tem agora na cidade um sítio abrigado para namorar, um simpático parque ambulante onde rumar aos domingos.
Alternativa, se arribado à beira-mar, bem pode urdir cana de pesca, um arpão. Com sorte, resolver o jantar: peixe grelhado nas brasas da vegetação.
Também, com paciência, labor, fácil é construir cabana, flautim. Um barco. A haste de uma bandeira! Difícil é, entre tantas desgraças que desgraçam o mundo, içar à cabeça a desgraça mais negra destas desgraças.
TRITRI! TRITRI! TRITRI! TRITRI! TRITRI! TRITRI! TRITRI! TRITRI! TRITRI! Quando o despertador acordou, TRITRI! TRITRI! TRITRI! TRITRI! TRITRI! cansado, levou as mãos à cabeça: TRITRI! TRITRI! TRITRI! TRITRI! TRITRI! TRITRI! TRITRI! o canavial ainda lá estava. TRITRI! TRITRI! TRITRI! TRITRI!...
Augusto Baptista
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