FORTUNA
Viveu a estroina de Paris nos anos loucos. Privou com nomes grandes da escrita, do pensamento, da arte.
Aberto a excessos, imerso nas derivas transgressoras desses tempos, um dia das profundezas do álcool acorda com o peito tatuado com grafismos cubistas, assinatura óbvia.
Os galeristas e marchands exaltaram a ventura do ungido: uma fortuna, uma fortuna enterrada na pele!
O tempo passa, o sortudo envelhecendo, tardante o ansiado passamento. Para, enfim, a família curtir a obra e a vida.
Um Inverno chuvoso, frio: a boa nova! O velho foi-se. Foi-se à lareira. Feito em cinzas.
Augusto Baptista
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