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segunda-feira, 11 de maio de 2026

FORTUNA

Viveu a estroina de Paris nos anos loucos. Privou com nomes grandes da escrita, do pensamento, da arte.

Aberto a excessos, imerso nas derivas transgressoras desses tempos, um dia das profundezas do álcool acorda com o peito tatuado com grafismos cubistas, assinatura óbvia.

Os galeristas e marchands exaltaram a ventura do ungido: uma fortuna, uma fortuna enterrada na pele!

O tempo passa, o sortudo envelhecendo, tardante o ansiado passamento. Para, enfim, a família curtir a obra e a vida.

Um Inverno chuvoso, frio: a boa nova! O velho foi-se. Foi-se à lareira. Feito em cinzas.

Augusto Baptista

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