terça-feira, 10 de julho de 2018

DIÁLOGOS RURAIS
Conheceram-se, depois cada um seguiu o seu caminho: ele, a cidade; ela, a labuta dos campos. Férias na aldeia, inevitável cruzamento. Ele, falador, discorre sobre o passado, banalidades; ela, esbelta, corpo tisnado, no silêncio dos campos nas tardes de sol. De repente, ele detém-se, olho no decote da blusa. Ela dá fé do reparo, reflecte nos pássaros, na azáfama dos ninhos, nos insectos no afã da polinização, dispara:
– Qual é a tua vida para logo?
AB

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