quarta-feira, 19 de maio de 2010

O rosto e a máscara






Saudáveis, risonhos, felizes por cumprirem os desígnios celestes de morrerem por nós, frangos, vacas, cabritos, porcos, linguados, corvinas, esperam-nos no talho, peixarias, restaurantes, na impaciência de serem comidos, devorados por nós. Mas será este o rosto ou será esta a máscara da tragédia?


Fotografia e texto: Augusto Baptista


Que prazer, que alegria no mundo haverá maior do que a de morrer por nós? — isso nos parece dizer a ampla figuração que anima as montras e o interior de muitos talhos, restaurantes, peixarias. Mas seria suportável o pesadelo de encarar a procissão de morte e carnificina que, para viver, cada um de nós arrasta atrás de si?

Preferível é imaginar mortos felizes, corpos que se entregam, solidários, e que nos exigem a gostosa obrigação de os trincharmos. Mas sendo a morte um momento, um processo tão dramático, acreditar que os outros morrem alegres por nós, serenamente, só pode ser um fingimento, um modo de iludir a culpa, o pecado (ou não) de matar.

Na Vagueira, anos 90, juraria Maio, talvez Junho, entregue à companha do ti João da Murtosa, fui ao mar. Lançada a rede ao largo, inesperadamente os pescadores ergueram-se no pequeno barco em meia lua. E quando esperava eu um gesto soberano, curvaram-se. A rezar. Louvor por estarem vivos, apelo ao sucesso do lanço? O êxito dos homens, a aflição dos bichos; a vida de uns, a morte de outros.

Pescar e pecar, conceitos próximos, mesmo quando do pecado não há entendimento ou nele não se acredita, como o pescador de Hemingway: "Não mataste o peixe só para viver e vendê-lo para ser comido. Mataste-o por amor-próprio e porque és um pescador. Amáva-lo enquanto estava vivo, e ama-lo depois de morto. Se o amas, não é pecado matá-lo. Ou será mais?». Pecado ou não pecado, «tudo mata, de uma maneira ou de outra», reconforta-se o protagonista de “O velho e o mar”, enleado num jogo ambivalente e sem saída: «Pescar mata-me, exactamente como me mantém vivo».

Nós e os outros, viver e matar, culpa, oração: tema de escritas. Na obra "Palomar", Italo Calvino dedica ao universo do talho a narrativa "O mármore e o sangue". «As reflexões que o talho inspira a quem lá entra com o seu saco de compras implicam noções transmitidas ao longo dos séculos em vários ramos do saber» incluindo «os rituais que nos permitem aplacar o remorso de pôr fim a outras vidas para nutrir a nossa».

No palco de sangue, o senhor Palomar permanece aí como num templo e, «apesar de reconhecer na carcaça pendurada do boi a pessoa do seu próprio irmão esquartejado, mesmo reconhecendo no corte do lombo a ferida que mutila a sua própria carne, sabe que é um carnívoro, condicionado pela sua tradição alimentar a recolher num talho a promessa da sua felicidade gustativa, a imaginar, observando estas fatias avermelhadas, as estrias que a chama deixará nos bifes na grelha e o prazer do dente ao cortar a fibra tostada».

Entre a alegria e o temor, o desejo e o respeito, o egoísmo e a compaixão, «o estado de alma de Palomar na bicha do talho» equivale ao «que outros talvez exprimam na oração».




Um porco de cartola

«Tudo o que vive e se move servir-vos-á de alimento. Entrego-vos tudo, como já vos havia entregue os vegetais», assim falou Deus a Noé e seus filhos, depois do dilúvio.

Apesar do salvo-conduto omnívoro do "Génesis", outros Livros do Antigo Testamento introduziram condicionantes, dividindo os animais em puros e impuros, nos que se podem e nos que não se podem comer; restrições entretanto levantadas em vários textos do Novo Testamento.

Em suma, o corpo bíblico dá luz verde para trincar quadrúpedes (sejam ou não ruminantes, tenham ou não casco fendido), peixes (com ou sem escamas e barbatanas), insectos, bicharada rastejante. Enfim, não há seres «abomináveis», «animais impuros». Haja apetite e, sem entrave da Bíblia, não há bicho que escape ao destino da faca e garfo.

Este manto cultural e religioso é transferido para a própria bicharada, ficcionando os homens um mundo cor-de-rosa em que porcos, patos, congros, perus, bois, garoupas, ovelhas, vacas, o reino animal enfim, solidário, altruísta, agradado e obediente à palavra de Deus, nos espera risonho, saudável, feliz, nas churrasqueiras, nos restaurantes, nos mercados.

No Bolhão e no Bom Sucesso, velhos mercados do Porto, e no mercado de Matosinhos, a presença de referentes religiosos constitui-se dominante. No Bolhão, entrada Sul, e na escadaria do Bom Sucesso há nichos em louvor de Nossa Senhora da Conceição e de Nossa Senhora Auxiliadora (a que também ouvi chamar, por irónica corruptela, Assoreadora) em cuja base sempre vi círios a arder.

Sob esta matriz de generalizada religiosidade, dir-se-ia que o climax devocional reina nos postos de venda da carne e do peixe. Em muitos deles, erguem-se discretos altares com santos, santas, terços. Às vezes lamparinas, velas, marcam presença. E entre chouriços, carcaças de bezerro, orelheiras, não raro espreitam figurinhas de papel evocando Nossas Senhoras, Corações de Jesus...

A "Salsicharia Sol Alto", com presença no Mercado do Bom Sucesso, editou calendários para 2002 com diversas ilustrações religiosas: aparição de Nossa Senhora aos pastorinhos, menino Jesus ao colo de Santo António, S. José mão no ombro do jovem Jesus. Na base das imagens, ladeando o nome da salsicharia, jaz, discreto, um porco desenhado com cartola. Dentro de um caldeirão.

A coexistência entre o religioso e o humor exprime-se aliás no espaço de alguns talhos e peixarias, dentro dos mercados referidos. É frequente encontrar bonecada de plástico ou de barro, porcos, vacas, galos, tudo animado, sorridente, onde também reinam, sérias, presenças sacras, e escorre sangue.

Ninguém se escandaliza, espanta, protesta ou descobre sacrilégio na relação sagrado-humor. Componentes integradoras, serão pólos de um processo de duplo apaziguamento, dois modos de esconjurar a culpa: desdramatizando a morte; abençoando-a.

Se a morte com sentido social, visando a alimentação humana, suscita ponderações, que dizer dos chocantes morticínios em massa de animais considerados excedentários, em obediência a determinantes de lucro e a jogos de mercado? Isto enquanto extensas zonas do planeta, pessoas aos milhões, crianças, são fustigadas pela fome. Mais do que pecado, este é crime sem perdão.

A fome no mundo, que também nos afecta, não torna sustentável preconizar uma radical e imediata alteração de hábitos alimentares, banindo da ementa carne, peixe — embora, para populações carenciadas, carne e peixe sejam quimera. Também o peso cultural, o modo como por tradição nos alimentamos, torna difícil mudar.

Mas um dia terá de ser. E bom seria que todos nós, súbditos do cozido à portuguesa, já neste nosso tempo optássemos por uma alimentação menos inquietante.



Mercado do Bom Sucesso: Nª Sª Auxiliadora

Mercado do Bolha: Nª Sª da Conceição


Entrego-vos tudo

Diz a Bíblia (Génesis, capítulo 9, versículos 1 a 3) que depois do dilúvio «Deus abençoou Noé e os seus filhos, dizendo: "Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra. Todos os animais da terra vos temerão e respeitarão: as aves do céu, os répteis do solo e os peixes do mar estão sob o vosso poder. Tudo o que vive e se move servir-vos-á de alimento. Entrego-vos tudo, como já vos havia entregue os vegetais"».

Entretanto, ainda no Velho Testamento (Levítico, cap. 11, vv 1-47), são longamente caracterizados os animais puros e impuros, os que se podem ou não comer. Noutro livro do Velho Testamento, Deuterónimo (cap. 14, vv 3-21), de volta ao assunto, é recomendado nada comer «que seja abominável», seguindo-se uma relação dos quadrúpedes puros: «boi, carneiro, cabra, veado, cabrito, gamo, cabrito montês, antílope, búfalo e cabra selvagem. Podereis comer também qualquer animal que tenha o casco fendido e que rumine. Porém, há ruminantes e animais com casco fendido que não podereis comer: o camelo, a lebre e o texugo, que ruminam, mas não têm casco fendido. Esses serão impuros para vós. Quanto ao porco, que tem casco fendido mas não rumina, considerá-lo-eis impuro: não comais a sua carne, nem toqueis no seu cadáver».

Dos animais que vivem na água, autorizado é comer só os que têm barbatanas e escamas. «Os insectos que voam» todos devem ser considerados impuros. E, das aves, «não podeis comer o abutre, o gipáeto, o xofrango, o milhafre negro, as diversas espécies de milhafre vermelho, todas as espécies de corvo, o avestruz, a coruja, a gaivota e as diversas espécies de gavião, o mocho, o íbis, o grão-duque, o pelicano, o abutre branco, o alcatraz, a cegonha, as diversas espécies de garça, a poupa e o morcego».

Esta «concepção pesada e formalista» foi abolida no Novo Testamento (Mateus, cap.15, vv 10-20; Marcos, cap. 7, vv 14-23; Actos, caps. 10 e 11), o que corresponde — para desgraça do porco — a declarar todo o mundo animal sob alçada do dente humano. No Evangelho segundo S. Marcos, diz Jesus aos discípulos: «"Não compreendeis que nada do que vem de fora e entra numa pessoa pode torná-la impura, porque não entra no seu coração, mas no estômago, e vai para a privada" (Assim Jesus declarava que todos os alimentos eram puros)».




Todos os nomes

Quem se der ao trabalho de atentar nos nomes, vai surpreender-se com a expressiva associação entre os talhos e o religioso. A propósito, em S. João da Madeira, um exactamente se designa Talho O Templo das Carnes (recentemente mudou para Talho Ângelo Valente). E é espantosa a quantidade de santos e de santas mobilizados para a função, sobretudo no Norte. A título de exemplo: Talho São Caetano, Rio Tinto; Talho Senhor dos Navegantes, Vila do Conde; Talho Senhora de Guadalupe, Águas Santas; Talho Nossa Senhora do Livramento, Braga; Talho São José, Baixa da Banheira; Talho de São João, Funchal; Talhos Nossa Senhora dos Altos Céus, Anta; Talho São Marcos, Trancoso; Talho São Lourenço, Porto; Talho São João Baptista, Almada; Talho São Francisco, Loulé; Talho São Mateus, Angra do Heroísmo. Muitos mais se poderiam citar, um tanto por todo o país: São Gonçalo, São Tiago, São Miguel, São Jorge, São Caetano, Santa Maria, Santa Luzia...

Nomes com ressonância bíblica também se encontram com abundância: Talho Arca de Noé, Vila do Conde; Talho O Dilúvio, S. Romão do Coronado; Talho Natividade, Lisboa; Talho Paraíso, Vila Nova de Gaia; Talhos Boi Doiro, Alijó e Viseu; Talho Vitelo Dourado, Viana do Castelo; Talho Calvário, Valongo; Talho Monte Calvário, Gouveia; Talho da Cruz, Santa Maria da Feira.

Nomes tristes, de Semana Santa, e outros de arrepiar, também os há: Talho Fado, V. N. de Gaia; Talho do Rosário, Porto; Talho das Dores, V. N. de Cerveira; Talho Novo da Saudade, Penafiel; Talho Meia Noite, Lanheses; Talho Alívio, Lda, Perelhal; Talho Desterro, Angra do Heroísmo; Talho O Braseiro, Aveiro; Talho Boa Faca, Delães; Talho Cortador, Matosinhos; Talho Espeto, V. N. Gaia; Talho Rua Escura, Porto; Talho Novo Corte, Bombarral; Talho Réu, Amarante; Talho Central Senhor dos Aflitos, Baltar.

Encontram-se designações refinadas: Boutique de Carnes, Porto; Talho Fina Flor, Moimenta da Beira; Talhos Requinte, Cacém; Talho Carnes de Categoria, Coimbra; Talho Azul, Silves. E há nomes de gente da escrita: Talho Garrett, Porto; Talho Eça de Queirós, Póvoa do Varzim; Talho Antero de Quental, Lda, Porto; Talho de João de Deus, Porto.

E há nomes risonhos: Talho Alegria, Porto; Talho Alegre, Mealhada; Talho Flor da Alegria, Porto; Talho Contente, Castro Verde. Há designações solares: Salsicharia Sol Alto, Porto; Supertalho Pôr do Sol, Lda, Lousada; Talho Varandas do Sol, Esmoriz. Referências a telenovelas também se encontram: Talho Pantanal, S. Mamede de Infesta; Talho O Bem Amado, Lda, Guimarães; Supertalho O Rei do Gado, Viana do Castelo.

Surpreendem-se travos cosmopolitas: Talho Francês, Lda, Lisboa; Talho Alemão, Lousã; Talho Muçulmano, Lda, Lisboa; Talho Londres, Cacém; Talho Paris, Maia; Talho Inglês, Almancil; Talho Oriente, Lisboa; Talho Europa, Figueira da Foz; Açougue Brasil, Ponta Delgada. Há nomes directamente dirigidos ao estômago: Talho Nutritiva, Porto; Supertalho O Tourão, Lda, Caldas das Taipas; Talho Bom Bife, Odiáxere; Talho Colosso, Porto; Talho Bifão, Caldas das Taipas.

Há talhos com nome número: 1, 17, 20, 29, 452, 501... E há donos de talho com apelido: Leitão, Coelho, Vaquinha, Pinto, Perdigão, Baleia, Lampreia, Ruivo, Lagarto, Pisco, Milhano, Raposo, Onça, Pavão, Aranha, Cabrinha, Vitelo.

As peixarias igualmente recorrem a nomes de santos e de santas, mas dir-se-ia com mais comedimento. Abundam evocações oceânicas: Peixaria Maré Alta, Maré Viva, Atlântico, A Onda, Estrela do Mar. E há frequentes diminutivos: Peixaria Rosita, Dininha, Teresinha, Bininha, Bélita, Lotinha, Robalinho, Pescadinha. E, entre todos os nomes, em Albufeira, há a Peixaria dos Olhos de Água.





Se os tubarões fossem homens

Em "Histórias do Senhor Keuner", conta Bertolt Brecht, com ácida ironia e pela voz da personagem K., que «se os tubarões fossem homens» seriam mais amáveis para os peixinhos: «organizariam grandes festas aquáticas porque os peixinhos alegres são mais saborosos do que os melancólicos». Teriam também a sua arte, teatros no fundo do mar «que mostrariam como os peixinhos heróicos e corajosos nadam com entusiasmo em direcção às goelas dos tubarões, e a música seria tão bela que os peixinhos, ao som das notas, precedidos pela orquestra, precipitar-se-iam sonhadoramente na garganta dos tubarões embalados pelos mais encantadores pensamentos».

E haveria uma religião, se os seláquios fossem homens. Uma religião, diz o senhor K., a ensinar que «os peixinhos só começam verdadeiramente a viver na barriga dos tubarões». Nasceria entre os peixinhos uma hierarquia e «os que fossem um pouco maiores, teriam mesmo o direito de comer os mais pequenos» e de zelar pela ordem, tornando-se professores, oficiais, engenheiros. «Para resumir, só se os tubarões fossem homens nasceria nos mares uma civilização».













Nota

A reportagem "O rosto e a máscara" (incluindo os três complementos "Entrego-vos tudo", "Todos os nomes" e "Se os tubarões fossem homens") foi concluída em 2002. Por dificuldade de acolhimento e de publicação na imprensa escrita, o trabalho só agora é aqui editado.

O texto mantém-se inalterado face ao produzido em 2002. As imagens, por descaminho dos originais, foram registadas em 2010 (à excepção da fotografia com os três calendários editados pelo talho Sol Alto).

O contacto agora efectuado para recolha de imagens (Porto e Matosinhos) revelou o encerramento de muitos estabelecimentos (peixarias e, sobretudo, talhos) de tipo tradicional e a abertura de outros, aspecto moderno; revelou grave afectação funcional dos mercados do Bom Sucesso e do Bolhão, pondo em perigo um património também cultural inestimável.

De qualquer modo, prevalecem - mesmo que com menos exuberância - os referentes imagéticos em que assenta a reportagem, como aliás as fotografias publicadas testemunham.

No presente, tal como em 2002, também frequente foi encontrar abundância de figurações exaltantes do potencial físico dos animais abatidos: touros (explosiva corpulência de testículos e cornos), galos (crista vermelho-ardente). Igual exaltação dos atributos físicos da oferta animal se exprime na designação de alguns talhos: Super Talho O Tourão, Talho Colosso, Talho Bifão.

Os novos espaços a que atrás aludimos apresentam-se por norma des-sacralizados, celofanizados, despidos. Alguns deles adoptam uma simbologia estilizada, outros procuram colar-se a mensagens ecológicas.




7 comentários:

  1. o texto é bem teu. e essa maneira de olhar, fotográfico, o efémero para "memória futura" também.

    naquela esquina do bonjardim ficavas maravilhado com os queijos, um dia, para no outro parares estarrecido em frente das alheiras e dos presuntos de proveniências diferentes.

    voilà um blog que vale a pena visitar.
    continua, Augusto! nós continuamos a ler-te!

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  2. Agora que li de uma ponta a outra posso e devo parabenizar-te. Pelo trabalho em si mesmo e também porque nos fazes reflectir sobre alguns aspectos do quotidiano em que só vemos a o tal 'celofane'.

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  3. Textos/Crónicas demolidores!Incauta, fui apanhada de surpresa:o documental entrelaça-se com uma reflexão mesclada de um aparente humor, que me deixou sem fôlego...ainda estou a digerir: a força do texto,o impacto das imagens; resta-e pedir para continuar.

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  4. Augusto:
    Estudo profundo mas com o teu já n/ conhecido excelente sentido de humor.
    Obrigado Augusto " meu Irmão ".

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  5. Percebo agora, a razão de esta semana, estares tu todo deliciado a mandares umas bocas aos merceeiros da rua do Tenente Valadim, fazia calor e eram para aí 4 e pico.........
    ;-)))))

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  6. Este texto está deliciosamente sarcástico/
    "impressivo"! Destaco em primeiro lugar o caracter quase "etnográfico" quando referencias os amuletos religiosos/suinos/outros que povoam os mercados/lojinhas/...Depois a crítica entre linhas à "morte" do comércio tradicional
    /familiar em nome da modernidade/ecologia/
    higiene...e por fim - muito mais haveria para comentar -a crítica aberta à nossa condição de PREDADORES na pior acepção que essa palavra pode ter, vivendo numa sociedade de abundância" quando noutros pontos do planeta a fome é uma realidade avassaladora.
    Sei que existe um museu do Porco e creio que é mesmo na Pampilhosa - nunca lá consegui ir.
    E sugiro que faças mesmo o levantamento dos amuletos religiosos espalhados pela cidade/lojinhas...com o tempo e a "descrença" vão acabar por desaparecer...Compôr um album fotográfico aliado à tua escrita será certamente um sucesso!

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