sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Enigma 1081
Dão-se gotas para a gota?
Augusto Baptista

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Enigma 1080
O vento vvvvvv, quando é muito, assovia?
Augusto Baptista
Enigma 1079
Modernidade é dar cor à água da torneira?
Augusto Baptista

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Enigma 1078
Qual o teor de toxidade do mau feitio?
Augusto Baptista

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Enigma 1077
Quem cresce mais: as unhas das mãos ou as unhas dos pés?
Augusto Baptista

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

   Enigma 1076
    Augusto Baptista

domingo, 24 de janeiro de 2016

Enigma 1075
O que faz perder a pena ao frango de pescoço pelado?
Augusto Baptista

sábado, 23 de janeiro de 2016

Enigma 1074
Por que é que o vinho tinto é vermelho e o branco é amarelo?
Augusto Baptista

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Enigma 1073
Qual é a função da crista do galo?
Augusto Baptista

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016


Enigma 1072
Se um café cheio tem vinte pessoas, quantas tem um café curto?
Augusto Baptista
Enigma 1071
Por que é que o milho tem barbas e não usa bigode?
Augusto Baptista

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Enigma 1070
Os frutos do mar têm caroço?
Augusto Baptista

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Enigma 1069
Fato-macaco XXL é fato-gorila?
Augusto Baptista

domingo, 17 de janeiro de 2016


Enigma 1068
Quem na praia procura o bronze, na serra busca o volfrâmio?
Augusto Baptista


sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

À entrada do Mercado do Bolhão, quadro insólito: um homem, boné do Futebol Clube do Porto, gravador ao peito, auscultadores nos ouvidos, a cantar. A cantar e a bater com as canadianas: o acompanhamento musical. Uma orquestra de muletas, um vocalista desafinado, a espantar os transeuntes. E há mãos comovidas a caminho dos bolsos, dos porta-moedas. Outras não.



 O performer do Bolhão 


Estou aqui a dar carinho às pessoas, a animar o povo. E as pessoas reconhecem, gostam, dão gorjetas. Só de olhar para mim ficam alegres, depois eu falo em certas coisas.

Mãe que partiste
e não voltaste
mas deixaste
o teu retrato tão lindo.

Mãe o teu retrato
é tão lindo
parece que me está ouvindo.

Eu dantes cantava em Valongo, nas paragens. E também cantava aqui, mas desde as eleições para a Câmara comecei a cantar só aqui. O Melo, presidente da Câmara, podia ser de que partido fosse, mas era uma jóia de pessoa. Agora este que para lá foi não me deixa cantar e eu vim para o Porto. Na Internet apanharam-me e estou em todo o mundo. Dantes era cantor de Valongo, agora puseram-me também cantor do Bolhão.
Eu francamente não precisava de andar nestas coisas, mas tenho pena das pessoas. O padre da capelinha das almas já me conhece, e o bispo, até os que andam a estudar para padre estiveram aqui e disseram que eu estava a fazer um papel importante.  Quando estou a cantar cantigas da igreja até me vêm as bagadas aos olhos.
As pessoas têm muito amor à minha pessoa. Vem gente do Sobrado, de Valongo, vem tudo aqui. Ainda hoje Ai você nasceu em Valongo e anda aqui? Deixei Valongo porque lá não sabem respeitar as pessoas. Aqui tem mais coiso. Lá não há aquele carinho como aqui. Uns pagam por causa dos outros. Aqui até as pombas me conhecem.
Dou-lhes pão aos bocadinhos. Se eu lhes der aos bocados grandes, elas entalam-se. Alguns dão pontapés nas pombas. E eu digo, As pombas não fazem mal a vocês. Vem um, pumba, dá biqueiro, vai outro caço-lhas, metem-nas no bolso e levam-nas para casa. Já vi um gajo a dar de comer e a caçar nas pombas, a meter ao bolso e a levá-las.


Sou portista, graças a Deus
Os benfiquistas, quando eu estou a cantar, ficam danados. Sou portista, graças a Deus, desde que tinha cinco anos. Sou do Porto há 63 anos. Lembro-me do Miguel Arcanjo, do Marujo, daqueles jogadores que já estão no outro mundo. E o Yustrich, o Pedroto. Eu sou do tempo do Monteiro da Costa, do Jaburu, Gaston, Valdemar, Carlos Duarte, Acúrsio, Hernâni, Barrigana. Sou desse tempo.

Rosas brancas
como tu não há igual
o Porto é o maior
dos maiores de Portugal.

Os benfiquistas não gostam que eu cante. Já chamaram a polícia para me autuar. Uma mulher veio aqui atirar-me com água, o pai dela anda a vender rifas. Trouxe um balde de água e atirou-me. Também o gajo da loja é um ranhoso, é um benfiquista ranhoso. Metia-se comigo, não sabe respeitar as pessoas, mas desde que o Benfica foi eliminado da taça UEFA nunca mais apareceu.
Um chegou à minha beira e disse Se você tivesse um cachecol ou um chapéu do Benfica dava-lhe uma gorjeta. E eu disse Olhe, eu não quero gorjeta do Benfica. Olhe o céu, eu assim para ele, olhe o céu, o azul, o azul e branco. É muito lindo, é a cor de Deus. Deus também é azul e branco.
Há três que vêm aqui todos os dias chatear-me. São dois trapalhões e mais um, equipado, usa óculos e tem a mania que é o maestro. Para aferroar dizem que o Benfica é campeão e que o Porto anda de caganeira. E eu digo, A caganeira passa, mas vocês dão carne podre à águia. Ide pagar o que devedes. O Porto é o maior. O Porto ganhou tudo. O Porto ganhou 20 taças Cândido de Oliveira, o Benfica ganhou 2, o Sporting ganhou 7, o que é que vocês querem? Nem o Real Madrid  tem uma Taça Intercontinental. Só o Porto. O Porto ganhou a Taça das Taças, uma Taça Intercontinental, dois Campeões Europeus, duas taças UEFA: seis. E o Benfica? Dois Campeões Europeus no tempo do Salazar.



Em Valongo são padeiros
em Sobrado lavradores
em Lordelo marceneiros
a terra dos meus amores.



Sou da terra dos móveis: Lordelo, Paredes. Os de Paços de Ferreira aprenderam a arte com os de Lordelo. Trabalhei como entalhador. O meu avô é de Valbom, também entalhador. De móveis. De todas as madeiras.
Sei mogno, sei eucalipto, sei castanho, sei de toda a madeira que calhar. Século XVII, século XVIII. Trabalhava com goivas, caixobi (o que faz a gravação), o martelo, não é martelo é maceta. E muitas goivas. Palheta 1, 2, estreitinhas, mais largas, formões. Para cima de umas 50 peças. As peças eram minhas. Eu deixei isto há mais de 20 anos, deixei lá numa mala. Na família também aprenderam a arte comigo e levaram a ferramenta, compreende. Os meus irmãos também os ensinei. E gente de fora. Às vezes pediam-me e eu ensinava-os. Eu trabalhei em casa do Madaleno, em vários. Fábricas que tinham uma média de 50 empregados. Um era Quinzinho, outro era Jardim Ferrinha. Eu às vezes trabalhava à peça em casa. Agora a coisa de entalhação foi abaixo: é tudo obra lisa. E eu também não posso trabalhar por causa da coluna e tudo o mais. Caí, fiz operação à anca, tenho a perna inutilizada.


O assobio
Estive na tropa em Moçambique. Em Tete, Beira. Era de uma companhia de Apoio Directo: mecânicos, bate-chapas, carpinteiros. Fazíamos tudo. Na tropa estive no ano de 1969 e vim em 1971. Eu era soldado. Tinha a escola de cabos, compreende, mas de certa maneira houve um problema na companhia. Cheguei dois minutos atrasado na formatura e mandaram-me cortar o cabelo. Eu agarrei e não deixei cortar o cabelo, são coisas que acontecem. Deram-me cinco dias de detenção. Depois, em Tete, no refeitório, não deixei fazer pouco. Lá um chefe de mesa começou a mandar comigo e deram-me mais três dias. Quilharam-me, ao cabo não.
Depois houve mais um problema: estava de Oficial de Dia o capitão de outra companhia, que a mim não encarava, e queria que eu acusasse um gajo. O capitão disse: Você estava na caserna tem de saber quem era. E eu disse: Não sei, eu não vi, eu até podia estar na casa de banho. O gajo era de Vila do Conde, eu não queria prejudicá-lo, compreende. Os gajos de Vila do Conde alto lá com eles. São os de Vila do Conde e os alentejanos e os madeirenses. O gajo tinha dito Quem quer ir ao cu ao oficial de dia que dê um assobio. Mas eu não disse ao capitão quem foi.




Direitos iguais
Alguns não me encaram. Não respeitam quem está no seu trabalho a dar carinho às pessoas, aos idosos, juventude, turistas. Há mulheres que ficam com ciúmes por verem as idosas a darem-me beijos. Há um que tem um clarim e uma mala e tem dinheiro dentro a entusiasmar as pessoas. O clarim dele dá muito barulho, eu tapo os ouvidos. O ceguinho que toca na esquina já foi escorraçado da Batalha. É ceguinho, mas é uma jóia de pessoa.
Olhe, àquela senhora que vem aqui roubaram-lhe a carteira: 
-       Oh minha senhora, noutro dia roubaram-lhe a carteira.
-       Roubaram-me a carteira com a minha reforma.
Tive pena e emprestei-lhe o que tinha. Eu também fui roubado. Roubaram-me uma sacola de couro. Foram os do Benfica, não foi mais ninguém. Mas piores que os do Benfica são os da droga.
Eu tenho pena das pessoas, eu francamente já telefonei para os bombeiros irem buscar idosos. Caíam lá na estrada e eu apanhava-os. Eu tenho muito crédito em Valongo, nos bombeiros e tudo o mais. Mas há mais de um ano que eu não canto lá. Deixei. Lá tem pessoas que não têm mentalidade e eu, para não me chatear... O presidente da Câmara não é da minha cor. Eu sou militante do PSD. Durão Barroso, Santana Lopes, todos me conhecem. Já estive com eles. Estive com eles no Coliseu, estive com eles em Valongo. Às vezes dizem-me, então tu és pobre e és do partido dos ricos? E eu respondo Então os pobres não têm os mesmos direitos que tem um rico?

Até os netos
O meu nome é António Ferreira Coelho. Mas, na terra, todos é por Leite que me conhecem. O meu falecido pai era russo e naquela maré puseram-lhe Leite, por ser russo. Tenho 68 anos. Casei, tive de tratar da minha vida e tudo o mais. Tenho seis filhos, três casais. Eles não querem que eu ande a cantar, mas quem manda sou eu. A minha mulher está assim um bocadinho da cabeça e eu não estou para me chatear por causa dela. Há coisas muito mal compreendidas e quando as pessoas, os filhos, querem mandar nos pais desta maneira e daquela. A mãe deu-lhes muito abuso. E têm mais amor à mãe do que ao próprio pai. Depois há certas coisas, compreende, em casa é tudo vermelho, tudo mouro. Até os netos são do Benfica.

Fotografia e texto Augusto Baptista (texto redigido após conversa com António Ferreira Coelho, meados de 2015; fotografia concretizada nesse período, em diferentes momentos)
ver: YouTube o cantor de Valongo


quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Enigma 1067
Por que é que os arco-íris são redondos?
Augusto Baptista
Enigma 1066
As plantas das casas são desenhadas por agricultores ou plantadas por arquitectos?
Augusto Baptista

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Enigma 1065
O vermelho manda parar; o verde, avançar; e o azul?
Augusto Baptista

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Enigma 1064
O canto do olho é polifónico?
Augusto Baptista

domingo, 10 de janeiro de 2016


Enigma 1063
Quando o Nuno anda no não, o diminutivo é no ninho?
Augusto Baptista

Enigma 1062
O pontapé na atmosfera dá-se mais em jeito ou em força?
Augusto Baptista

sábado, 9 de janeiro de 2016

Enigma 1061
Quem chora muito corre o risco de desidratar?
Augusto Baptista

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Enigma 1060
Hoje ainda irá a tempo?
Augusto Baptista

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Enigma 1059
Para limpar a boca é mais prático usar a palma ou as costas da mão?
Augusto Baptista

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Enigma 1058
Para que servem as palavras que não se dizem?
Augusto Baptista
Enigma 1057
A banha da cobra é boa para fritar?
Augusto Baptista

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Enigma 1056
No inferno a entrada é livre?
Augusto Baptista

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Enigma 1055
Quem inventou o guardanapo?
Augusto Baptista
Enigma 1054
Quanto mede o mar alto?
Augusto Baptista

domingo, 3 de janeiro de 2016

Enigma 1053
Amanhã é longe ou é perto?
Augusto Baptista

sábado, 2 de janeiro de 2016


Enigma 1052
Os grandes elefantes africanos, com enormes presas, levam H?
Augusto Baptista


sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Ode ao gato
Canto a insolência
com que olhas
de alto a baixo
os poderosos
os avalias
num desdém
a roçar a impertinência.

Ah e os teus dengosos
bate papos com o sol
este sol do sul
luminoso e quente
e me pergunto
de que falarão vocês
enrolados
um no outro assim
que assuntos calorosos
vos retêm tão entretidos
pela tarde adiante.


Canto a eloquência
dos teus discursos de silêncio
os enunciados
libertários que proclamas
no roçagar
do teu corpo
em labaredas
entre as pernas
dos homens
das mulheres
e guardo segredo
das coisas
que escutas
e me confias.


Canto este tempo
de pirilampos e malmequeres
pequenos sóis que alegram
os cabelos das raparigas
e tu pequeno príncipe
das trevas
que tudo vês
e sabes
de olhos fechados
libidinoso
a ronronar-lhes
no colo.


Canto a partícula cósmica
que um dia foste
e de longínquas paragens
saltou
fascinada
por esta bola
azul às voltas
salto timorato
de quem não mede
tempo nem distâncias
siderais
nem avalia as consequências
astronómicas
dos impulsos instintivos
um pulo de cortar a respiração
sete vezes
e
vertigem
de estrela cadente
grão de pó
ou ainda menos
desde os confins
do espaço
sideral
do tempo
sem memória
riscando o céu
em fogo
i
n
f
i
n
i
t
a
m
e
n
t
e
se fez
forma
animal
aqui
caindo


de pé.


De pé
como as árvores
que não tremem
diante do machado
e se inquietam
com o trinar
dos pássaros.

augusto baptista