domingo, 5 de agosto de 2018

O LOBO MAU NO HOSPITAL
OPINIÃO  
SUGESTÕES CULTURAIS
 
José António Gomes
A propósito do último livro que aqui aconselho, começo por recordar que, na reunião da Câmara Municipal do Porto de 31 de Julho de 2018, a vereadora Ilda Figueiredo apresentou uma Proposta de Recomendação que, aprovada por unanimidade, se transforma numa Recomendação da Câmara Municipal do Porto (CMP) ao Governo, para que «desbloqueie a construção da nova Ala Pediátrica do Hospital São João (Porto)». Trata-se, sem dúvida, de um apoio importante da CMP à causa da construção do Hospital São João dos Pequeninos, o Joãozinho, como reclamado em 22 de Julho, na sessão de lançamento de O Lobo Mau no Hospital, a obra de Augusto Baptista que aqui brevemente comento e recomendo, e que é editada pela Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto e pelo Centro Hospitalar de São João. Destina-se o produto da respectiva venda (ponto importante) a angariar fundos para a construção da nova Ala Pediátrica do Hospital.
O livro é de um encanto e de uma graça que nos comovem e divertem, tendo contado ainda com as ilustrações de Z. L. Darocha (1945-2016), conhecido pintor que ilustraria também livros para a infância. O seu registo caricatural, hiperbólico, bem-humorado e colorido constitui o complemento ideal da história escrita por Augusto Baptista, a qual parte, como se depreende do título, dos conhecidos contos de Charles Perrault e dos Irmãos Grimm, constituindo mais uma variação hipertextual da célebre narrativa da Menina do Capuchinho Vermelho (que outros, como Roald Dahl ou M. A. Pina também recriaram). Aqui, a floresta, por assim dizer, é o hospital de adultos, embora o Lobo Mau (nesta história, o paciente) comece por ser apresentado pela Menina ao Joãozinho, médico que representa o próprio hospital pediátrico. Não conto o resto; apenas acrescento que o Lobo, a Avozinha e o Caçador terminam, com Joãozinho, em animada dança e cantoria, uma vez curado o pobre Lobo. Os papéis tradicionais estão, claro está, parodicamente invertidos: Capuchinho é activa; o Lobo é quem está em carência.
Gostaria de destacar ainda a irrepreensível concepção gráfica de João Bicker, conhecido designer e professor universitário, que faz desta obra um belo objecto para todos os públicos, crianças ou adultos.
A atitude do governo, já amplamente noticiada, é incompreensível e condenável. A causa (libertação de verbas do orçamento para construção da nova Ala Pediátrica do S. João) é boa. Resta-nos apoiá-la e recomendar que se leia e se dê a ler este livro aos mais novos e não só.

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