quarta-feira, 6 de abril de 2016

A noite das facas longas
Abre o bilhete, dobrado em quatro, que ele lhe deixou sobre a mesa. Lê, dissimuladamente:

Espero-a esta noite. A porta da rua fica encostada. Seja cuidadosa, que ninguém a veja entrar. Eu próprio tratarei da ceia. Uma receita da minha falecida avó: carne esfaqueada em tiras, chouriço de sangue golpeado, uma cabeça de alho esmagada, batata a murro. E prometo-lhe sangria, à luz de velas.

Volta a dobrar o bilhete em quatro. Com a ponta e mola corta o papel aos bocadinhos, corta o papel aos bocadinhos, corta o papel aos bocadinhos, e decide arriscar.
ab

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