Mostrar mensagens com a etiqueta Elucidário Oblíquo do Reino dos Bichos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Elucidário Oblíquo do Reino dos Bichos. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Quebranto

O torpor do Lobo Mau depois de engolir a Avozinha.
In Elucidário Oblíquo do Reino dos Bichos, pág. 41, Augusto Baptista

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Polvo

Molusco com oito braços chamados pernas.
In Elucidário Oblíquo do Reino dos Bichos, pág. 38, Augusto Baptista

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Melro

O que anuncias no teu bico libertário, melro negro?
— Morte! A morte, ao cativeiro!
In Elucidário Oblíquo do Reino dos Bichos, pág. 31, Augusto Baptista

Dúvida

O que terá aparecido primeiro: o anzol ou o peixe grelhado?
In Elucidário Oblíquo do Reino dos Bichos, pág 15, Augusto Baptista

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Quebra-luz

Dono da casa, chinelo na mão; no candeeiro, o moscardo.
In Elucidário Oblíquo do Reino dos Bichos, pág. 41, Augusto Baptista

Salamandra

Nome vulgar de batráquios urodelos, extensível a uma espécie, muito comum em Portugal, de fogão.
In Elucidário Oblíquo do Reino dos Bichos, pág. 43, Augusto Baptista

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Quantíssima tormenta

No céu da tarde de repente uma nuvem negra rompe-se em formas abstractas, fragmentos que se reúnem numa adelgaçada barbatana, logo num corpo aéreo. E o tubarão evidente que dali nasce tem à perna uma prole de vinte descendentes, lixosos, negros como o pai.
Cúmulos-nimbos em densas matilhas faíscam lumes com faunos rabudos, torsos agorilados, gargantas escancaradas. Mais acima, asas tímidas, farrapos nebulosos com garras. Além uma serpente evola de Leste a Oeste, num chicoteio espiral que envolve em reboliço a turba. Ah, o rei dos animais à caça, juba hirsuta e rabo agitado, em rodopio uma manada de gnus, aí uns mil, a ocupar a abóbada celeste quase toda.
O tubarão reúne a prole e posta-se à frente, defensivo. Os faunos assediam a serpente alada. Um jacto de veneno vaporoso salta da barriga do réptil. Luta de titãs, os bichos se ensarilham num ardor de tempestade. Ribombam furacões, se agoniam trovões, os céus ensandecem-se em relâmpagos.
No chão, um casal de patos observa ansioso a insânia aérea, na expectativa de ver encher-se, enfim, a lagoa que o estio severo mirrara tão sequiosamente.
In Elucidário Oblíquo do Reino dos Bichos, pág. 39, Augusto Baptista

Xirimbambada

A matilha de pardais salta do fundo do lago e, em cavalgada húmida, rasga galerias nos muros. Um bando de peixes alvorota-se dos montes a escorregar pelas ladeiras, alaparda-se no ninho. Os lobos, cardume sequioso, trepam as árvores em busca de comida. Só os porcos, extensa vara na xirimbambada, parecem bichos ajuizados, sem poderem acreditar no que os seus ouvidos cheiram, seus olhos escutam, seus narizes vêem.
In Elucidário Oblíquo do Reino dos Bichos, pág. 52, Augusto Baptista

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Raposa

Desculpem, não é raposa, é raposã. O animal tem rabo, não?!
In Elucidário Oblíquo do Reino dos Bichos, Augusto Baptista

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Rouxinol

Só à noite se pode entender um canto assim.
In Elucidário Oblíquo do Reino dos Bichos, pág. 43, Augusto Baptista

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Senhores da Gramática, então admite-se sobrecarregar batráquio saltador com til?!
In Elucidário Oblíquo do Reino dos Bichos, pág. 42, Augusto Baptista

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Morcegos

Os morcegos são muito liberais na educação dos filhos: miudinhos e já os deixam sair à noite.
In Elucidário Oblíquo do Reino dos Bichos, pág. 31, Augusto Baptista

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Ratazana

Um excesso verbal: bastaria nomear o bicho, sem referir a cauda, a zana.
in Elucidário Oblíquo do Reino dos Bichos, pág. 43, Augusto Baptista

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Bebé

Um mamífero.
In Elucidário Oblíquo do Reino dos Bichos, pág. 9, Augusto Baptista

Zurros

De repente, surdiu um vento suão que ensandeceu os bichos. E as galinhas começaram aos coaxos. Sobressaltados, os cães desalmaram-se em relinchos, os porcos em ão aõs desesperados, rãs aos cacarejos, cavalos a grunhir.
— Está tudo doido! — disse de si para si o lavrador.
Tanto bastou para que o vento amainasse, a ordem se restabelecesse: cacarejantes as galinhas, os cavalos aos relinchos, os cães a ladrar, os patos a grasnar, os porcos a grunhir, as rãs aos coaxos.
Enorme banzé!
Incomodado, o lavrador foi-se sem dizer palavra, a mastigar chilreios, misto de rugidos e grugulejos, espécie de uns zurros.
in Elucidário Oblíquo do Reino dos Bichos, pág. 54, Augusto Baptista